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Aumento gradual de calado na Barra Norte fomenta terminais e ocupação de Panamax



O aumento gradativo do calado homologado na Barra Norte, no Rio Amazonas, vai fomentar a movimentação de cargas, além de contribuir para atrair investimentos para instalação de novos terminais na região. Na última segunda-feira (8), a Marinha autorizou o início dos testes para o aumento do calado de 11,7 metros para 11,9 metros no canal da Barra Norte. A expectativa de terminais, armadores e da praticagem é que, aos poucos, esse calado chegue a 12,5m. Essas condições são necessárias para aumentar a ocupação de navios que hoje não podem trafegar totalmente carregadas por restrições de calado.


A Associação de Terminais Portuários Privados (ATP) calcula que a ampliação de 20 centímetros do calado pode representar um aumento da capacidade de transporte de carga da ordem de 1.800 toneladas por navio e a diminuição dos custos logísticos no Arco Norte. A região é rota de escoamento da safra de grãos e de minério, principalmente do Centro-Oeste. Para a associação, a decisão da Marinha vai gerar aumento da competitividade dos terminais que fazem uso do Barra Norte. O presidente da ATP, Murillo Barbosa, afirmou que a bola está com os usuários demandarem mais navios de maior porte na região. A associação espera que o incremento do calado ocorra o mais rápido possível, seguindo as orientações da autoridade marítima. A entidade estima que o incremento de passagens pela Barra Norte ajuda a consolidar dados com informações mais precisas da maré, que tem uma variação de quatro metros na região. Os comandantes dos navios contratados pela Cargill, por exemplo, informam as profundidades durante toda a travessia.


A expectativa da ATP é que, numa primeira fase, se chegue a 12,5m de calado — um metro a mais que os 11,5m que eram o limite há alguns anos. A associação considera prudente que os testes com novos calados avancem gradativamente, talvez de 20 em 20 centímetros, como vêm ocorrendo. A ATP acredita que, quando constatado e autorizado o calado de 12,5m, será possível navegar praticamente o ano inteiro. Segundo Barbosa, os Panamax que saem do Rio Amazonas trafegam com máximo de 80% da capacidade e 20% de frete ‘morto’. Para um Panamax sair totalmente carregado, o ideal seria ter um calado de 13,3m. Algumas barcaças que partem de Miritituba vão para Barcarena, utilizando o Canal de Quiriri, principal acesso ao Porto de Vila do Conde, de onde podem trafegar Panamax, pois o calado é de 13,8m. Além dos grãos, a ATP enxerga potencial para ampliar o transporte de minérios, granéis líquidos e contêineres. O presidente da associação afirma que, apesar da conclusão da BR-163, o Arco Norte segue com gargalo porque ainda haverá navios sem poder transportar toda sua capacidade ou serão utilizados navios menores.  “Se a Barra Norte fosse um porto organizado, seria o 4º no Brasil em tonelagem”, comparou Barbosa.


A portaria 122/2020 determina que os 10 testes sejam feitos por práticos com, pelo menos, três anos de experiência e deverão contar com a presença de um representante da autoridade marítima. Nos testes, para efetuar a passagem pelo arco lamoso, os navios devem estar carregados com 11,7 m de calado de carga e 20 centímetros de lastro. Após cada teste de navegação, o prático responsável deverá emitir relatório conclusivo, em até 10 dias, que deve informar se a navegação ocorreu de forma segura ou se ofereceu risco à segurança. O documento também deve apresentar dados técnicos das manobras, como o calado utilizado pelo navio, a plotagem da posição do navio a cada 10 minutos com a respectiva profundidade local e a velocidade do navio. Após os testes, o Comando da Marinha analisará os relatórios sobre a viabilidade do aumento de calado na região em até 30 dias. A praticagem é facultativa na região até 11,5m de calado — acima disso a presença do prático é obrigatória.


O Conselho Nacional de Praticagem (Conapra) avalia que o aumento de 20cm no calado representa boas expectativas para transporte de grãos e outras cargas na região. A praticagem entende que o processo vem ocorrendo de forma gradativa, conforme os padrões de segurança, e vai permitir o aumento da capacidade de transporte. O presidente do Conapra, Ricardo Falcão, identifica que ainda precisam ser firmadas regras de convívio para evitar, por exemplo, que navios pesqueiros ocupem o canal de passagem de navios mercantes.

O prático, que navegou na região, destacou que, nas primeiras passagens, os navios conseguiram passar com profundidade maior do que esperado, inclusive com folga confortável. Num primeiro momento, o horizonte a ser almejado é entre 12m e 12,5m. Falcão afirmou que a praticagem abraçou o projeto da Barra Norte desde o início, investindo em marégrafos e apoiando a necessidades das tradings que precisam ser mais competitivas no Arco Norte. Ele explica que calado é o ‘x da questão’ para exportar para a China, pois o número que fecha a conta para os transportadores é entre 13,2m e 13,3m.


Falcão vê o Rio Amazonas como uma das principais artérias de escoamento da produção agrícola brasileira. Ele lembra que, muitas vezes, a produção do Centro-Oeste é escoada pelo Sudeste por falta de capacidade de resposta do Arco Norte. “Chegar a um ponto de explorar a Barra Norte ao máximo dará resposta logística forte até para trades novos”, acredita. O presidente do Conapra entende que os calados maiores geram oportunidade de dar respostas melhores para logística no setor de commodities, que é muito importante para balança comercial.

Segundo Falcão, a praticagem contribuiu para a atualização da carta náutica pela Marinha, que vinha defasada desde década de 1980. Outro estudo importante da praticagem ajuda a aproveitar os momentos favoráveis de maré para trafegar em calados maiores no canal. O prático explicou que o navio ganha calado em dias de passagem com densidade da água mais alta. Em momentos de marés altas, principalmente em dias de lua cheia, essa densidade aumenta. Segundo o presidente do Conapra, todas as descobertas entram nos cálculos e são compartilhadas com autoridade marítima e instituições de pesquisa. “Quanto mais troca de informações, mais dados serão enviados por satélite para os pesquisadores da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e para a DHN (Diretoria de Hidrografia da Navegação da Marinha)”, salientou. Falcão lembra que, em 2018, um navio petroleiro passou pelo bordo errado e encalhou, colocando em risco a comunidade local. Ele enfatizou que a praticagem atua na região da Barra Norte há quase 40 anos, com índices muito baixos de incidentes


Fonte: Portos e Navios


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