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Barra Bonita - “Capital da Navegação”

No dia 13 de março participei do movimento de mobilização “Capital da Navegação”, promovido pela FENAVEGA e pelo SINDASP, com o apoio dos demais Sindicatos associados à Federação e da CNT, e que ocorreu na cidade paulista de Barra Bonita, às margens do Rio Tietê.

O evento foi coroado de sucesso, estando o anfitrião SINDASP de parabéns pela organização e recepção dos convidados que se fizeram presentes, a quem agradeço pela ilustre presença, o que muito prestigiou a mobilização. Entretanto, e quase sempre há um entretanto, o evento nos mostrou que o Brasil, em todos os cantos, é um imenso Saara quando se fala em hidrovias.

A apresentação feita pelo Dr. Luiz Correa, Consultor do SINDASP, nos confrontou com uma triste realidade, retrato de quase absoluto abandono. Digo de quase absoluto abandono, e não de abandono total, porque alguns abnegados, estoicos e teimosos, contrariando o bom senso, insistem em levar adiante o que deveria ser prioridade para todos os governos, em qualquer esfera, Federal, Estadual ou Municipal.

O que vi na apresentação feita pelo SINDASP me levou a algumas indagações: - o que funciona na Hidrovia Tietê Paraná? - onde está o DNIT, responsável pelo maior trecho da Hidrovia? - Por que tanto descaso, se há exemplos pelo mundo, em países que sequer têm rios da grandeza do Rio Tietê ou do Rio Paraná, como a Holanda, mas que fazem de pequenos canais verdadeiras Hidrovias, com funcionamento pleno e manutenção .prioritária, reconhecendo nesse modal a eficiência, economicidade e sustentabilidade? Afirmo que, se a Hidrovia Tietê Paraná estivesse localizada na Holanda ou na Alemanha, seria até iluminada para permitir a navegação noturna com absoluta segurança, e para poder se ver a sua beleza e magnitude diuturnamente. - Alguns equipamentos da Hidrovia, como o Canal de Pereira Barreto e as várias eclusas existentes, que foram construídos unicamente em razão da Hidrovia e hoje se encontram sem a manutenção devida, correm o risco de causar o colapso da Hidrovia, levando a paralização da atividade e derramando “água a baixo” bilhões em investimentos feitos até aqui, tanto investimento público quanto investimento privado. Quem será responsabilizado por tal abandono? - É notório que a navegação na Hidrovia Tietê Paraná leva a quem vive em seu entorno, ou até mesmo na sua área de influência, inestimável desenvolvimento econômico e social. Inúmeros Municípios e milhões de pessoas serão condenados ao retrocesso em relação à condição socioeconômica conquistada pela atuação da navegação comercial na HTP? - Na situação em que nos encontramos, é possível afirmar que no Brasil existe, de fato, alguma Hidrovia? Não tenho resposta para tantas indagações. Talvez a atividade econômica do modal aquaviário de transporte seja apenas uma quimera em nosso País.

Mas sou essencialmente Brasileiro e antes de tudo teimoso. Vou continuar na crença de que ainda teremos um País que nos prestigie com uma política pública de transporte que seja erigida nos moldes de política de Estado, e não política de Governo.

Quando isso acontecer, e espero ver esse tempo chegar, terei a certeza que o nosso trabalho não foi em vão, e que aquilo que hoje parece sandice de nossa parte, na verdade espelhará a nossa mais absoluta convicção.

Raimundo Holanda C Filho Presidente da FENAVEGA vice-presidente da CNT

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