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Brasil precisa reduzir custos logísticos internos para melhorar pós-porteira

Especialistas apostam que melhorias de rotas específicas trariam benefícios ao setor em todo o país

O Brasil precisa reduzir seus custos logísticos internos para o agronegócio atender com mais eficiência os mercados globais. A afirmação é do o presidente da Comissão de Logística da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Luiz Antônio Fayet, ao participar do SP Grain Forum, promovido pela Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), em Campinas (SP).

Durante sua apresentação, Fayet destacou que a produção e as exportações de soja e milho estão concentradas, basicamente, no Brasil, Estados Unidos e Argentina. Pontuou a vantagem da agricultura brasileira, com a possibilidade de fazer duas ou até três safras por ano, o que dá capacidade ao país, de atender a demanda mundial em meio a uma população crescente.

No entanto, ressaltou o consultor, a competitividade do país é afetada pela logística de escoamento da produção. Ele mostrou dados do ano de 2017, comparando o custo para se exportar uma tonelada de soja no Brasil, Estados Unidos e Argentina. Para os brasileiros, era de US$ 83 por tonelada, enquanto os americanos pagavam US$ 23 e os argentinos US$ 40.

Segundo Fayet, o peso desse custo logístico recai mais sobre o milho do que sobre a soja, já que o preço de exportação do cereal é menor que o da oleaginosa. “Sem tirar o custo logístico, o milho brasileiro não consegue chegar. Na medida que conseguirmos reduzir os custos internos, vamos poder dar ao mundo maio conforto em termos de suprimento”, disse.

Especialista da Embrapa Territorial, o analista Gustavo Spadotti destacou que, diferente de outros setores, que têm uma logística mais definida, o agronegócio, muitas vezes, se desenvolveu em uma localidade antes mesmo da estrutura de escoamento estar construída. Por isso, a necessidade de mais investimentos em infraestrutura para o setor.

“Somos muito eficientes dentro da porteira e essa eficiência resulta em ganhos não só para a cadeia produtiva, mas para todo o território nacional. Tratar de temas que aumentem a nossa competitividade pós-porteira é extremamente interessante e necessário para o país consegui ter uma soberania ainda maior em alimentos, fibras e energia”, disse ele.

A pedido do Ministério da Agricultura, a Embrapa Territorial tem feitos estudos sobre as rotas da agropecuária no Brasil, tomando por base dez setores, que correspondem à maior parte da produção. O Sistema de Inteligência Territorial Estratégica da Macrologística Agropecuária reúne dados de entidades públicas e privadas. Mapeou a situação de rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, além de unidades de armazenamento, processamento e abate. A intenção é gerar informações que facilitem a tomada de decisões sobre logística no país.

Durante sua apresentação no evento, Gustavo Spadotti destacou que o Brasil tem 1,7 milhão de quilômetros de rodovias, mas apenas 212 mil pavimentados. De 28 mil quilômetros de ferrovias existentes no país, apenas 18 são utilizados. E dos 22 mil quilômetros de rios navegáveis, algo entre 5% e 10% são utilizados para o escoamento da produção agropecuária.

“O agronegócio brasileiro movimenta 1,6 bilhão de toneladas de carga por ano, que, de uma forma ou outra, passa pelo modal rodoviário. Então, a pujança de investimentos em todos os modais é necessária, mas sem esquecer que de uma forma ou outra, sempre passa pelo modal rodoviário”, analisou Spadotti.

Ele contou que, com base nos dados da Embrapa Territorial, foram listadas 30 obras consideradas fundamentais para resolver os gargalos de logísticas do Brasil, entre rodovias, ferrovias e hidrovias. Apenas para estimular o escoamento pelos terminais do chamado Arco Norte, importante para o Mato Grosso, são oito. Entre elas, a BR-163, que o governo espera terminar a pavimentação ainda neste ano, e a Ferrogrão, considerada de médio prazo.

Na visão de Gustavo Spadotti, resolver o gargalo do escoamento da produção de Mato Grosso, líder nacional em soja, milho e algodão, os efeitos seriam positivos para a logística em todo o país. Mas não exclui a necessidade de investir de forma mais ampla na infraestrutura, especialmente nos portos.

“Mesmo com o investimento de modais de escoamento de safra, também é necessário investir em novas concessões e novos terminais no Brasil para dar vazão às cargas que nós estamos projetando exportar nos próximos anos”, disse ele.


Fonte: Globo Rural

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