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Cabotagem em foco

Esse tipo de navegação pode ser até 30% mais barata do que o transporte rodoviário, aumentando a competitividade e a lucratividade das empresas

O Brasil é país continental, com 8.000 km de costa, que se conecta a vários rios navegáveis. Apesar disso, a navegação de cabotagem, tipo de transporte de cargas realizado entre portos da mesma nação, não ocupa papel de destaque entre os vários modais utilizados. Segundo dados do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS) de 2017, o Brasil contava na época com 63% da produção sendo escoada pelas rodovias, 21% pelas ferrovias, e apenas 13% das cargas, incluídas a navegação de cabotagem e a navegação fluvial e lacustre, utilizando o transporte aquaviário.


Na China, mais de 50% de sua produção usa esse modal, demonstrando o potencial inexplorado no Brasil. A recente greve dos caminhoneiros mostrou ainda que a forte dependência das rodovias para o transporte de cargas no País traz grande vulnerabilidade, e nesse sentido a proposta do Ministério da Infraestrutura de incentivar a cabotagem, reduzindo a burocracia no setor, indica boas perspectivas a seu desenvolvimento.


Há outras vantagens na realização de trocas de mercadorias entre os portos brasileiros. A navegação de cabotagem pode ser até 30% mais barata do que o transporte rodoviário, o que significa reduzir preços ao consumidor, aumentando a competitividade e a lucratividade das empresas. Ela é menos suscetível a roubos e furtos de cargas, comuns nas estradas brasileiras, e oferece condições de transportar volumes consideráveis, bem mais do que nos outros modais, tendo em vista os grandes espaços disponíveis nos navios. Outro ponto importante são os ganhos ambientais, com consumo muito menor de combustíveis, evitando assim a emissão de gases de efeito estufa.


O transporte marítimo de cargas vem aumentando no Brasil. Segundo dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), as operações de cabotagem registraram alta de 26% no ano passado, somando 229 milhões de toneladas em todo o País. O grande desafio para seu avanço está, porém, na redução da burocracia, que ainda dificulta e compromete a expansão.


O secretário nacional de Portos e Transportes Aquaviários, Diogo Piloni, em sua primeira visita ao Porto de Santos na última semana, declarou que o Ministério da Infraestrutura entende que o tratamento da questão exige burocracia e procedimentos específicos, com rapidez nos embarques e desembarques, e discussões têm acontecido entre o Ministério da Infraestrutura com empresas do setor, além de associações que representam a Praticagem e os usuários.


Além da desburocratização, tem sido debatido o fomento à construção de novas embarcações. A meta para os próximos quatro anos é assumir a liderança do Fórum Econômico Mundial da América Latina. Hoje, o Brasil ocupa o 9º lugar em termos de competitividade de infraestrutura, e a cabotagem pode contribuir bastante para tal objetivo.


Fonte: A Tribuna

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