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Crise hídrica ameaça o transporte hidroviário

Usinas hidrelétricas pressionam por redução do calado de embarcações ou até paralisação da hidrovia Tietê-Paraná


A escassez de água traz uma série de consequências ao agro brasileiro. Para além do preço mais alto na conta de luz, a queda no nível dos rios preocupa agricultores e transportadores, principalmente os localizados na região Centro-Sul, a mais afetada pela seca deste ano. Além de exigir maior uso da irrigação, o quadro ameaça o sistema hidroviário de transporte de cargas.

A região abriga a principal hidrovia do país, situada na Bacia Tietê-Paraná. Por seus 1250 km de águas navegáveis entres Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná, são transportados 2,5 milhões de toneladas de grãos, principalmente soja e milho. Mas o nível dos rios está muito baixo e, como a época das chuvas já acabou, o setor depende agora da gestão das águas para saber se poderá usar a hidrovia normalmente.


Se as hidrelétricas baixarem o nível da água para as hidrovias, sobra um problema para o transporte fluvial, além de pressionar os outros dois principais modais utilizados no Brasil: o ferroviário (por trilho) e o rodoviário (por caminhão).


O valor do frete rodoviário já aumentou em função da concentração de colheita da última safra e pode subir ainda mais com o aumento da demanda.


E o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Luiz Carlos Ciocchi, sugeriu nesta terça-feira (15/6) a redução do calado ou até a paralisação da hidrovia Tietê-Paraná a partir de 1 de julho, durante audiência pública na Câmara dos Deputados.


Produtores de Mato Grosso recordam que, em 2020, tiveram uma redução de 26% no frete rodoviário em relação a 2019, justificada pela pavimentação do trecho da BR-163 que liga o território mato-grossense ao Pará. Essa obra deu novas opções de escoamento ao agronegócio, ao explorar mais o chamado Arco Norte — portos brasileiros localizados acima do paralelo 16.

Neste ano, eles observaram, porém, que, desses 26% de baixa ante 2019, 10% já se perderam por causa do estresse logístico e estão preocupados com essa história de hidrovia parada — uma alternativa a menos de transporte.


Fonte: Globo Rural

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