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Em 1970, a rede hidroviária que os gaúchos sonhavam era um plano possível

Editorial do jornal Folha da Tarde, em 1973, destacava grande obra fluvial no Estado


De Miguel Teixeira de Carvalho, de Brasília, recebemos uma mensagem na qual ele registra a sua inconformidade com o não aproveitamento da rede hidroviária com que a natureza contemplou o nosso Estado. Miguel faz referência ao Plano Hidroviário do Estado, concluído pelo Departamento Estadual de Portos, Rios e Canais (Deprec) em 1961. O Deprec foi criado em 1951 e funcionou até 1996, quando foi desmembrado dele o Porto de Rio Grande, criando-se, assim, a Superintendência do Porto do Rio Grande (SUPRG). O nome do órgão só foi extinto em 1998, passando a ser chamado Superintendência de Portos e Hidrovias. 


O leitor enviou também o fac-símile de um editorial do finado jornal Folha da Tarde, provavelmente publicado em 1973, que previa para o ano seguinte a conclusão da Barragem Eclusada de Amarópolis (situada à margem esquerda do Rio Jacuí, no município de General Câmara, perto da Vila de Santo Amaro, a eclusa foi concluída em 1974 para vencer um desnível de 4,6 metros e restabelecer a navegação no rio) e saúda a obra como o fim do plano hidroviário do Jacuí. 


“Este sistema de barragens eclusadas, do qual também fazem parte a do Fandango, nas proximidades de Cachoeira do Sul, e a do Anel de Dom Marco, perto de Rio Pardo, ambas já concluídas, permitirá a navegação do Jacuí, para embarcações de até 2,5 metros de calado, num estirão de 300 quilômetros, desde Porto Alegre até Dona Francisca. Recupera-se, assim, a navegação do histórico curso d’água, com o restabelecimento integral, para a economia rio-grandense, da função que ele já exercera nos primórdios de nossa formação.” 

O texto do jornal diz, ainda: “Com a conclusão das três barragens, os 300 quilômetros agora navegáveis do Jacuí terão o prolongamento de mais 300 na Lagoa dos Patos, completando um percurso de 600 quilômetros até o porto de Rio Grande e, desse modo, formando um caminho fluvial e lacustre de alta significação econômica no conjunto dos nossos meios de transporte. Os componentes desse conjunto precisam guardar equilíbrio, contribuindo o desenvolvimento dos sistemas aquaviário e ferroviário para corrigir a atual hipertrofia do sistema rodoviário, que vinha crescendo praticamente sozinho, para desempenhar o seu papel específico e complementar o que, tecnicamente, deveria caber aos demais meios de transporte. Fica o Jacuí, assim, pronto para que se trate de sua ligação com o Ibicuí e, deste, com o Uruguai, partindo-se, oportunamente, para o mais ambicioso e fascinante projeto de navegação fluvial no Estado”.


Miguel esclarece: “Nunca trabalhei no Deprec e jamais tive qualquer ligação com o órgão. Considero catastrófica e fruto do desleixo de sucessivos governos estaduais e federais a extinção tácita da malha ferroviária criada com sangue, suor e lágrimas, ainda na época de Borges de Medeiros, do colapso das rodovias, a maior parte delas herança dos já distantes governos militares”. Por fim, ele questiona: “Que fim levaram as hidrovias? As eclusas ainda existem? São operacionais? O sistema funcionou/ funciona? Atualmente, a navegação fluvial é um fato econômico real? O plano é primoroso, houve uma época em que os governos faziam as coisas direito.”


Fonte: Gauchazh

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