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ENTREVISTA: Raimundo Holanda, Presidente da FENAVEGA


Para o vice-presidente de Transporte Aquaviário da CNT e presidente da Fenavega (Federação Nacional das Empresas de Navegação Aquaviária), Raimundo Holanda, o estudo da CNT configura uma base de dados consistente e contribui para lançar luz sobre as características e as especificidades do modal hidroviário. De acordo com ele, o setor padece com a total ausência de investimentos, as constantes trocas de gestores e o excesso e a complexidade das normas.


Qual a importância do estudo da CNT?

A maior importância é levar o conhecimento tanto para a sociedade quanto para todos os órgãos envolvidos na navegação, relacionado às necessidades e à realidade das hidrovias, principalmente no que diz respeito aos investimentos em infraestrutura e ao nosso potencial de transportar, que é bem maior do que aquilo em que pensamos. O estudo deixa claro que não temos hidrovias, mas, sim, rios navegáveis, e isso impede o desenvolvimento.


É importante divulgar uma série com a caracterização de cada uma das hidrovias?

Isso é importantíssimo, principalmente, para mostrar como elas realmente são. Cada hidrovia tem os seus problemas e a sua realidade. É necessário tirar o pensamento de que, se resolver o problema do rio Madeira, vai resolver o dos demais. Cada via tem as suas necessidades. Para se ter uma ideia dessas diferenças, no rio Tapajós, temos problemas com o setor elétrico. Já no rio Tocantins, não existe essa questão. E as duas vias navegáveis estão no mesmo estado.


O setor enfrenta entraves relacionados às sucessivas mudanças de gestão e à burocracia. O que o senhor tem a dizer sobre isso?

Sobre a gestão, sempre se reinventa a roda – e nem roda nós usamos. Todo mundo está inventando alguma coisa. Por exemplo, existe um pensamento ou uma diretriz que o governo lança. Depois de três anos, muda tudo ou volta para o que era antes. Não existe um projeto que tenha 15 anos, 20 anos. Com esse cenário, é muito difícil a iniciativa privada acompanhar essas mudanças. Para piorar, ainda há o excesso de normas. Uma norma para o rio Paraná diz que tem de agir de uma forma, mas ela não serve para o rio Tapajós, que tem outra norma. Além de unificar e padronizar, é preciso retirar o excesso. A Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) realiza audiência pública todo dia. Mal a gente se acostuma a uma norma, e já tem outra atualização em andamento.


Como o senhor avalia os investimentos destinados a hidrovias no Brasil?

Não existe investimento em hidrovia por aqui. O estudo da CNT expõe como está o problema. O que existe é alguma coisa pontual para mostrar que alguém está tentando fazer algo, mas investimento para resolver os problemas não existe há décadas. Nunca se investiu em hidrovias no Brasil. O que se faz é muito pouco, e o pior: o pouco que se faz não resolve nada. Estamos discutindo a dragagem no rio Madeira há dez anos. Hidrovias não vão ser criadas com ações pontuais. Os gestores mudam como muda o vento. É muito difícil pensar no futuro hidroviário.


Nesse sentido, como o material da CNT pode colaborar para lançar luz sobre o setor e auxiliar as autoridades públicas e a sociedade?

Não tenho dúvidas de que esse material da CNT vai ajudar muito. Eu desconheço outra publicação dessa natureza, com uma linguagem que todo mundo entende, como essa da CNT. Os demais cadernos que serão publicados poderão ajudar até quem deseja montar uma empresa de navegação e precisa de uma base de dados consistente para se orientar. Quero parabenizar a Confederação e o presidente Vander Costa pela iniciativa de trazer o detalhamento de cada região e se aprofundar. Isso certamente vai nos ajudar a pensar no futuro do setor.


Fonte: Revista CNT - Transporte Atual - Edição Informativa da CNT - "Um rosto para a reforma" - ANO XXV, Nº 285, Setembro de 2019 - página 47

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