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Governo federal planeja realizar 24 leilões de concessões em março


O governo federal pretende fazer no mês de março 24 leilões de concessões em vários setores, como portos e aeroportos e a Ferrovia Norte-Sul, afirmou na manhã desta sexta-feira o secretário do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Adalberto Vasconcelos.


Em evento sobre privatizações no setor elétrico, que está sendo realizado no BNDES, Vasconcelos disse ainda que o governo tem mais 24 outros projetos previstos até o fim do ano. A carteira total do governo de projetos é de 193, disse.


Segundo o secretário especial de Desestatização do Ministério da Economia, Salim Mattar, presente no mesmo evento, algumas estatais do país são uma "aberração". Segundo ele, as empresas públicas deficitárias custam R$ 15 bilhões por ano ao Tesouro, recursos que poderiam ser melhor investidos em saúde e segurança.


Mattar afirmou ainda que o governo estuda criar uma empresa, a Nave, para cuidar do espaço aéreo. Mas, segundo ele, não seria uma nova estatal, e sim uma autarquia.


Ele informou que as estatais deficitárias custam aos cofres R$ 15 bilhões por ano.  Segundo o executivo, existem us$ 1,5 trilhão no mundo, mau remunerado, e segundo ele, uma parte desses recursos poderão vir para serem investidos em inf4raestrutura no Brasil pelo setor privado.


- A Ceitec é uma aventura  do Brasil  que custou uma fortuna de dinheiro  e que hoje  passados tantos anos o máximo que essa empresa consegue  é o que chamamos  o "chip da orelha do boi."  E nem o chip e la faz, manda fazer em Taiwan, o chip volta e ela intermedia. E temos outras estatais que são  uma aberração  competindo com a iniciativa privada - destacou.


Presente ao mesmo evento, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que o BNDES terá papel "transformador" neste novo governo para o desenvolvimento de um programa de vendas de ativos.

— Além das privatizações dos ativos, o futuro é fazer as concessões, parcerias público-privadas. A economia brasileira estava muito baseada no Estado — destacou Guedes.


O presidente do BNDES, Joaquim Levy, disse que a venda de ativos não visa a uma redução das dívidas apenas, mas sim a buscar uma mudança real na economia.


Ele citou a venda das seis distribuidoras de energia das regiões Norte e Nordeste, que permitiu uma redução nas dívidas de R$ 9,3 bilhões e vai proporcionar investimentos de R$ 6,7 bilhões nas empresas, com melhoria da qualidade dos serviços de distribuição de energia.

— O BNDES está preparado com um time articulado para mobilizar capital doméstico e estrangeiro para aumentar o investimento no Brasil — disse Levy.

Mattar afirmou ainda que o governo não vai mais "financiar empresários".


— Este governo tem que apoia os empresários, mas se ele não tiver recursos próprios para tocar seu projeto, não dá, pois os recursos (públicos) são escassos e devem ser aplicados na saúde e segurança — destacou Salim Mattar. —  Nós queremos uma iniciativa privada forte, que tem que buscar recursos lá fora, não como no passado, buscando recursos junto a esta instituição (BNDES) — destacou Mattar.


Já o secretário de Governo, Carlos Alberto Santos Cruz, afirmou que o maior problema do país não é a falta de recursos mas a questão moral com desvios de recursos.

— A sensação que eu tive quando assumi, foi de uma casa arrombada.  O governo não pode ser perdulário,  e as fiscalizações têm que funcionar. Aqui no Rio não funcionou nada, parecido com Brumadinho — disse Carlos Alberto, numa referência á situação econõmica que chegou o governo do Estado do Rio.


Distribuidoras da Eletrobras

O presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Junior,  destacou nesta sexta-feira os vários problemas e as dificuldades que enfrentou para conseguir privatizar no ano passado as seis distribuidoras de energia elétrica nas regiões Norte e Nordeste.


— Apesar de a Eletrobras ter assumido uma dívida grande, principalmente com a Petrobras com a venda de combustíveis. Nós colocamos mais de R$ 6 bilhões nessas empresas — destacou Wilson.


Todas essas distribuidoras segundo ele, tem elevadas perdas na qualidade dos serviços aos consumidores.


— A sociedade ganha se a gente for mais rápido nesses processos (de privatizações) — frisou Wilson.


Segundo o presidente da Eletrobras, o processo de venda das distribuidoras de energia levaram dois anos, e enfrentou muita oposição, principalmente pelos sindicatos dos trabalhadores locais. Mas ele destacou a importância da privatização  que permitirá a recuperação e valorização dessas distribuidoras, com a melhoria da qualidade dos serviços para os consumidores.


Fonte: O Globo

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