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Relatório detalha impactos da pandemia da Covid-19 no transporte marítimo

Divulgação do documento produzido pelo Grupo de Trabalho da ANTAQ aconteceu nesta quinta-feira (28), durante Reunião Extraordinária de Diretoria


A ANTAQ apresentou, nesta quinta-feira (28), o relatório final do grupo de trabalho criado para avaliar os impactos da pandemia da Covid-19 no transporte marítimo. A apresentação aconteceu na sede da Agência, em Brasília, durante Reunião Extraordinária de Diretoria. O objetivo do relatório foi apresentar os resultados alcançados pela Agência, contemplando, entre outros pontos, a análise do setor logístico de contêineres e o levantamento dos impactos diretos nos terminais portuários brasileiros.

Entre as principais conclusões do trabalho, estão: - A falta de contêineres e a capacidade logística dos portos ocasionaram um grande problema logístico internacional; sendo certo que os prognósticos mais prováveis avaliam que essa situação perdurará em um horizonte de médio prazo;

- No contexto nacional, focando especificamente na movimentação de contêineres, a série histórica demonstra um crescimento da quantidade transportada no longo prazo. O transporte de contêineres, de modo geral, não foi afetado negativamente, mantendo seu ritmo de crescimento durante a pandemia e tendo reflexos também das mudanças de perfis dos consumidores.

- Observaram-se os reflexos sobre a operação dos portos, com impactos principalmente comerciais, mas que também afetaram a logística e as finanças dos agentes consultados (usuários do transporte marítimo, portos e terminais de carga). Os principais impactos observados estão relacionados às omissões de escala, à concentração de movimentação de cargas, à ocupação de pátio, às filas, à credibilidade com clientes diante da falta de previsibilidade da entrega da carga, ao aumento dos fretes e à ocorrência de navios com tripulação positiva para o coronavírus. Cinco Indicadores O relatório contém cinco importantes indicadores para verificar a existência de alguma distorção em relação ao antes e após o início da pandemia de Covid-19, tomando por base março de 2020, mês de início da pandemia no Brasil. O Grupo de Trabalho definiu os seguintes indicadores: total de atracações; prancha média operacional em unidades/hora; tempo médio para atracação em horas; tempo médio de operação em horas e tempo médio atracado em horas.

Conforme o estudo, constatou-se que o período pós-pandemia afetou de certa forma a produtividade e os tempos médios envolvendo estadias de navios, muito embora esses efeitos não foram considerados relevantes. “Inicialmente, o número total de atracações não sofreu impactos significativos. Suas inter-relações com outros indicadores não o tornam um fator que aponte algum tipo de problema, até mesmo porque a movimentação portuária de contêineres vem aumentando nesses últimos anos sem afetar o número de atracações na mesma proporção”, apontou o relatório.

Em relação ao indicador de produtividade, também conhecido como prancha média, aferiu-se também queda nas unidades/h movimentadas em média nos terminais de contêineres, tendo-se por base os dados anteriores ao mês de maio de 2021. Observou-se que em agosto de 2021 a média apontou 51,5 u/h, enquanto em junho de 2019 atingiu-se o número máximo de 59,3. O levantamento concluiu, ainda, que todos os tempos mensurados pareceram afetados após a Covid-19, principalmente nos últimos meses de 2021, quando houve aumento no tempo para atracar, aumento no procedimento de operação e no total do tempo atracado. “O patamar alcançado em agosto de 2021 mostrou-se bem mais elevado do que aquele existente antes da pandemia do Covid-19. A partir desses dados, é possível identificar que o Brasil também sofreu com fenômenos similares ao mercado internacional, embora em diferentes graus.”

Omissões A partir de janeiro de 2022, a ANTAQ incorporou em seu Sistema de Desempenho Portuário o módulo pelo qual os portos organizados e terminais autorizados informam as omissões ocorridas em seus berços.

Omissões de escalas são entendidas como cancelamentos dos acessos dos navios a determinado terminal portuário, o que na prática significa dizer que as atracações de navios previstas para acontecer em uma janela específica não mais acontecerão. O navio não mais acessará o porto na data e período previstos e, consequentemente, não mais descarregará a carga de importação que ele desembarcaria nos terminais e tampouco receberá a carga de exportação que ele se compromissou a carregar.

O estudo apresentado nesta quinta-feira trouxe o número de omissões ocorridas em terminais autorizados de contêineres, no ano de 2022, de janeiro a junho. Destaca-se o número mais elevado para os terminais localizados na Região Sul, totalizando 56 ausências de escala nesse período. No total, de janeiro a junho de 2022, foram 89 omissões de escalas relacionadas com terminais autorizados nas diversas regiões brasileiras.

Considerando-se os portos organizados, com seus cais públicos e terminais arrendados, entre os meses de janeiro e junho, observaram-se 316 omissões em terminais arrendados e cais públicos, presentes nos portos organizados. A maior presença de omissões, considerando-se as regiões, está representada para o Nordeste (143), em seguida o Sudeste (101), e por último, a Região Sul com 72 faltas de escala.


Fonte: Antaq

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